Tecido Cartilaginoso

O tecido cartilaginoso é um tecido conjuntivo especial, cujas células derivam da célula mesenquimal indiferenciada. É um tecido avascular, formado por células denominadas condroblastos e os condrócitos que estão envolvidos por uma matriz extracelular abundante. Mais de 95% do volume da cartilagem consiste em matriz extracelular, que constitui o elemento funcional desse tecido.

Os condroblastos são células jovens com alta capacidade de síntese dos elementos da matriz. Os condrócitos são células maduras com diminuição de sua atividade metabólica, responsáveis pela manutenção da matriz e pelo controle metabólico da cartilagem na qual se encontram.

A matriz extracelular da cartilagem é sólida e firme, mas também ligeiramente maleável, o que explica a sua elasticidade. Como não existe nenhuma rede vascular na cartilagem, a composição da matriz extracelular é de importância crucial para a sobrevivência dos condrócitos.

O tecido cartilaginoso é classificado com base na organização dos condrócitos (em grupos ou isolados) e na composição da matriz extracelular. Dessa forma, existem três tipos de cartilagem: hialina, elástica e fibrosa (ou fibrocartilagem).

CARTILAGEM HIALINA

Composição

A cartilagem hialina é uma forma avascular de tecido conjuntivo, composta de células denominadas condrócitos e de matriz extracelular de aparência homogênea e altamente especializada. A matriz da cartilagem hialina contém fibras colágenas do tipo II, glicosaminoglicanos (GAG), proteoglicanos e glicoproteínas multiadesivas.

Na cartilagem hialina, os condrócitos estão distribuídos como unidades ou agrupamentos, denominados grupos isógenos, situados, cada um, em lacunas na matriz. Os condrócitos que constituem grupos isógenos representam células que sofreram divisão recente. À medida que os condrócitos recém-divididos produzem a matriz extracelular que os circunda, os grupos isógenos se dispersam. Os condrócitos também sintetizam e secretam metaloproteinases (enzimas que degradam a matriz cartilaginosa), possibilitando a expansão e o reposicionamento das próprias células dentro do grupo isógeno em crescimento.

A cartilagem hialina é encontrada no adulto como arcabouço estrutural para a laringe, a traqueia e os brônquios; ocorre nas extremidades articulares das costelas e na superfície das articulações sinoviais. Além disso, a cartilagem hialina constitui grande parte do esqueleto fetal e desempenha importante papel no crescimento da maioria dos ossos.

De acordo com a localização anatômica da cartilagem, seu desempenho funcional pode variar.

Funções:

* Resiste à compressão;

* Proporciona uma superfície de amortecimento lisa e de baixo atrito para as articulações;

* Proporciona um suporte estrutural no sistema respiratório (laringe, traqueia e brônquios);

* Forma a base para o desenvolvimento do esqueleto fetal e a formação adicional de osso endocondral e crescimento do osso.

Pericôndrio

Em quase todas as partes onde está presente, exceto na superfície das articulações sinoviais, a cartilagem hialina é circundada por um tecido conjuntivo denso, denominado pericôndrio.

Este tecido é composto de células morfologicamente indistinguíveis dos fibroblastos. Em muitos aspectos, o pericôndrio assemelha-se à cápsula que circunda as glândulas e muitos órgãos. Ele também atua como fonte de novas células para a cartilagem.

Formação e crescimento

A condrogênese – o processo de desenvolvimento da cartilagem – inicia-se com a agregação de células mesenquimatosas para formar massa de células arredondadas e muito próximas umas das outras.

O local de formação da cartilagem hialina é inicialmente reconhecido por um agregado de células mesenquimatosas ou ectomesenquimatosas, conhecido como nódulo condrogênico. A expressão do fator de crescimento SOX-9 desencadeia a diferenciação dessas células em condroblastos, os quais, em seguida, secretam matriz cartilaginosa (a expressão do SOX-9 coincide com a secreção de colágeno do tipo II). Esse processo é regulado por muitas moléculas, incluindo ligantes extracelulares, receptores nucleares, fatores de transcrição, moléculas de adesão e proteínas da matriz.

Com o início da secreção da matriz, o crescimento da cartilagem continua por meio de uma combinação de dois processos: crescimento aposicional e crescimento intersticial.

Células jovens sintetizam a matriz ao seu redor e, à medida que o fazem, entram em atividade mitótica e ficam aprisionadas na própria secreção – surgem, assim, os condrócitos. Essa mitose caracteriza o crescimento aposicional.

Os condrócitos são células redondas, com núcleo basofílico seguindo a forma geral celular. Têm volume maior do que o dos condroblastos, porém são nutridos por difusão a partir dos vasos do pericôndrio. Assim, armazenam glicogênio para obtenção de energia. Tal depósito não é corado, o que faz com que o citoplasma da célula madura seja fracamente eosinofílico ou mesmo sem coloração.

Após o aprisionamento do condrócito, ele fica inserido em uma lacuna na matriz, na qual entra novamente em atividade mitótica. Essa proliferação caracteriza o crescimento intersticial. No início, as células-filhas dos condrócitos em divisão ocupam a mesma lacuna. Com a secreção de nova matriz, as células-filhas se separam e cada célula passa a ocupar a sua própria lacuna. Com a secreção contínua de matriz, as células afastam-se ainda mais umas das outras.

 

CARTILAGEM ELÁSTICA

Composição

Além de conter os componentes característicos da matriz da cartilagem hialina, a matriz da cartilagem elástica também apresenta uma densa rede de fibras elásticas. O material elástico confere à cartilagem suas propriedades elásticas, além da resistência e maleabilidade que são características da cartilagem hialina.

Como as fibras elásticas não se coram bem nas colorações de rotina, observa-se, nos preparos corados por hematoxilina e eosina, a matriz fracamente eosinofílica com discretas estruturas fibrilares visíveis. Quando são realizadas colorações histoquímicas especificas para fibras elásticas, observam-se a quantidade e a distribuição deste elemento no tecido. Em preparos especiais, verifica-se que as fibras elásticas se localizam em maior quantidade ao redor dos condrócitos, além de serem mais espessas nessa região.

Os condrócitos, aqui maiores e mais numerosos em relação aos da cartilagem hialina, podem ser binucleados e encontram-se isolados na matriz ou formando grupos isógenos irregulares, visto que essa cartilagem não passa por uma fase específica de crescimento intersticial, a qual resultaria com a formação dos conjuntos celulares bem definidos.

Localizações anatômicas

As cartilagens elásticas estão presentes no pavilhão auditivo externo e na tuba auditiva, na epiglote, bem como formando algumas peças cartilaginosas da laringe. Em todas essas localizações, a cartilagem é circundada por um pericôndrio semelhante ao encontrado ao redor da maior parte das cartilagens hialinas, responsável pela nutrição desse tecido.

CARTILAGEM FIBROSA

A cartilagem fibrosa, ou fibrocartilagem, é uma combinação de tecido conjuntivo denso e de cartilagem hialina. A matriz extracelular da fibrocartilagem contém quantidades significativas de colágeno do tipo I (característico da matriz do tecido conjuntivo) e de colágeno do tipo II (característico da cartilagem hialina).

Os condrócitos estão dispersos de modo peculiar entre as fibras colágenas, geralmente em fileiras e em grupos isógenos. Esses condrócitos têm morfologia semelhante aos da cartilagem hialina. Além disso, não há pericôndrio circundante, como no caso da cartilagem hialina e cartilagem elástica.

Em geral, a cartilagem fibrosa está presente nos discos intervertebrais, na sínfise púbica e na inserção de tendões e em estruturas dentro de determinadas articulações (p. ex., meniscos da articulação do joelho).

A cartilagem fibrosa apresenta resistência mecânica à tração e pouca elasticidade, além de seu componente rígido conferir proteção a tecidos circundantes mais frágeis.

 

Disco intervertebral

O disco intervertebral encontra-se entre as vértebras, formando sínfises intervertebrais.

Os discos intervertebrais são formados por duas regiões – o núcleo pulposo e o anel fibroso –, com função geral de possibilitar movimentação vertebral, com estabilidade e dispersão de forças.

• Núcleo pulposo: porção interna do disco, é composto por células redondas observadas em meio a estroma de fibras de colágeno tipo II e abundante substância fundamental amorfa, de consistência gelatinosa firme. Essa estrutura confere resistência à compressão, porém, após os 20 anos de idade, este tecido é gradualmente substituído por cartilagem fibrosa, torna-se menos maleável e a proteção contra impactos diminui.

• Anel fibroso: porção externa do disco, formada por fibrocartilagem com feixes dispostos em camadas concêntricas; tendo em vista a densidade do colágeno, essa área confere resistência à tração e dispersão de forças absorvidas pelo núcleo pulposo.

 

Referências bibliográficas

– ROSS, M.H. WOJCIECH, P. Histologia. Texto e Atlas – 7ª edição. Editora: Guanabara Koogan, 2017.

– JUNQUEIRA, L.C.U. & CARNEIRO, J, ABRAHAMSOHN, P. Histologia Básica: texto e atlas. 13ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.

– KIERSZENBAUM, B. L. Histologia e biologia celular: uma introdução à patologia. 2º Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.

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